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Projetos

Lavagante europeu

O lavagante (Homarus gammarus) dá sinais de desaparecimento em muitos lugares ao longo da costa europeia, provavelmente devido à captura excessiva, à ausência de políticas de conservação ou a falta de fiscalização efetiva. É um crustáceo valioso, muito apreciado na gastronomia, mas que tem um crescimento muito lento. São animais que à medida que envelhecem, crescem menos, ou seja, os mais novos crescem mais e em menos tempo do que os mais velhos. Um exemplar que ultrapassa os três quilos poderá bem ter 50 anos de idade.

Vários programas de conservação, proteção e repovoamento nasceram em países como Espanha, Inglaterra, Noruega, Irlanda e Alemanha. Como não havia nenhum projeto deste género em Portugal, e costa rochosa da praia da Aguda pode ser considerada um habitat ideal para este crustáceo e também para a aplicação de medidas que poderiam estabelecer e aumentar a população local, iniciou-se em 2006 um estudo a longo prazo com o objetivo de saber o grau de risco desta espécie na Praia da Aguda, já que há algum tempo os pescadores comentavam que estavam a apanhar cada vez menos animais e de menores dimensões. Também se notou que poucos pescadores cumpriam os tamanhos mínimos previstos na lei (20,0 cm de comprimento total ou 8,5 cm de cefalotórax).

 

Numa primeira fase, foram registados e estudados os lavagantes capturados pela pesca local e vendidos na lota da Aguda.Numa segunda fase, foi realizada uma pesca experimental em colaboração com os pescadores locais, de forma a obter informações adicionais sobre a distribuição e densidade, as relações de peso-comprimento e dos sexos.

Numa terceira fase, lavagantes de tamanho inferior da pesca comercial e experimental, foram primeiro recuperados em cativeiro, depois marcados com injecção de tinta colorida e libertados no mar, a Norte da praia da Aguda, sobre fundo rochoso.
Em paralelo, foram criadas condições na Estação Litoral da Aguda para manter lavagantes adultos em cativeiro e proceder à cultura de larvas e juvenis. Os primeiros resultados não foram encorajadores por causa da mortalidade elevada na fase larvar, provavelmente devido ao canibalismo.

A pesca experimental e os esforços de cultivo vão continuar no futuro. Espera-se que os conhecimentos adquiridos sobre o estado da população local, em paralelo com o aperfeiçoamento das técnicas de cultivo e métodos, forneçam as condições necessárias para o repovoamento do lavagante no mar da Aguda, com sucesso.

Desde o início do projeto em 2006 até outubro de 2018 foram reintroduzidos no mar um total de 398 lavagantes marcados. A taxa média de recaptura de animais marcados anda à volta de 10 %.

OUTROS PROJETOS:

  • Perspetivas de cultivo de percebes (Pollicipes pollicipes) em substratos naturais e artificiais na praia da Aguda (Cunha e Weber, 2001, 2000).
  • Conceção, construção, implantação e monitorização de um sistema piloto de recifes artificiais (Dias, Weber e Veloso Gomes, 2008; Dias Santos, 2000).
  • Conceção, construção, implantação e monitorização de recifes artificiais e betão com incorporação de lamas orgânicas (Dias, Weber and Veloso-Gomes, 2008).
  • Impactos humanos e naturais no bentos da zona intertidal rochosa (Oliveira, Sousa-Pinto, Weber and Bertocci, 2015, 2014; Oliveira e Weber, 2014; Oliveira, 2008).
  • Impactos e Colonização Biológica de uma Estrutura de Defesa Costeira – o Quebramar da Aguda (Dias Santos, 2009).
  • Viabilidade técnico-económica da produção do Burrié Littorina littorea (Santos e Weber, 2016).
  • Fauna e flora do litoral da praia da Aguda (Areia, 2001; Weber, 1997).
  • Fauna e flora do mar da Aguda (Weber, 2010; Weber, 2005).
  • Estudo do crescimento e fauna associada dos “Recifes” de Sabellaria alveolata (L.) na praia da Aguda (Pereira e Weber, 2003; Pereira, 1998).
  • Estudo do impacto do quebra-mar destacado na praia da Aguda, Norte de Portugal (Santos, 2004; Santos, Santos e Weber, 2003; Santos, Cunha and Weber, 2002).
  • Avaliação do impacto do quebra-mar destacado na biodiversidade associada aos recifes de Sabellaria alveolata (L.) da praia da Aguda (Linhares, 2006).
  • Pesca artesanal na praia da Aguda (Weber, Jesus e Santos, 2016; Weber and Prata, 2005; Weber, Cunha e Santos, 2002; Weber, Jesus e Santos, 2001; Weber e Bleicker, 1998; Weber e Vaz Pires, 1990).
  • Distúrbios em poças do intertidal, um estudo de recolonização biológica e importância da época do ano em que são produzidos (Oliveira, Bertocci, Weber and Sousa-Pinto, 2011; Oliveira and Weber, 2010).
  • Práticas de Investigação, Conservação da Natureza e Educação na Estação Litoral da Aguda.
  • Organismos marinhos perigosos e venenosos da costa portuguesa continental (Weber e Horta Soares, 2015; Weber e Soares, 2014).
  • Estudo etnográfico e histórico do anzol (Weber, 2018).
  • Pesca experimental, marcação-recaptura, cultivo e perspetivas de repovoamento do lavagante europeu (Homarus gammarus) na Praia da Aguda (Sousa, Oliveira e Weber, 2018; Weber, 2012).

 

MESTRADOS E DOUTORAMENTOS

Desde o início das atividades académicas foram concluídos os seguintes mestrados (MSc) e doutoramentos (PhD) sob a supervisão da equipa da ELA:

  • 1998 – “Estudo do crescimento e fauna associada dos «recifes» de Sabellaria alveolata (L.) da Praia da Aguda”. Mestrado em Ciências do Mar e Recursos Marinhos, Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar ICBAS da Universidade do Porto, UP, Anabela Pereira (MSc).
  • 2000 – “Conceção, construção, implantação e monitorização de um sistema piloto de recifes artificiais”. Instituto Hidráulico e Recursos Hídricos IHRH da Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto FEUP, Jaime Dias Santos (MSc).
  • 2004 – “Estudo do impacto do quebra-mar destacado na Praia da Aguda, Norte de Portugal”. ICBAS, UP. Patrícia Magalhães dos Santos (MSc).
  • 2006 – “Avaliação do impacto do quebra-mar destacado na biodiversidade associada aos recifes de Sabellaria alveolata (L.) da praia da Aguda”. ICBAS, UP. Elizabete Fernandes Linhares (MSc).
  • 2007 – “A biodiversidade das comunidades bénticas do litoral de Esposende”. Universidade do Minho, Braga, UM, Vasco Manuel Paiva Ferreira (MSc).
  • 2008 – “Estudo do impacto do quebramar nas comunidades de mexilhão e barroeira na praia da Aguda, usando dados de deteção remota”. ICBAS, UP, Cristina Emília Paiva (MSc).
  • 2009 – “Impactos e Colonização Biológica de uma Estrutura de Defesa Costeira – o Quebramar da Aguda”. FEUP, Jaime Prata (PhD).
  • 2009 – “Distúrbios (naturais e/ou de origem humana) em poças do intertidal – estudo de recolonização biológica e importância da época do ano em que são produzidos”. ICBAS, UP, José Pedro Machado Oliveira (MSc).
  • 2010 – “Pesca experimental e comercial, recaptura, cultivo e repovoamento do lavagante europeu (Homarus gammarus) no mar da Aguda”. ICBAS, UP. Ricardo Melo (MSc).
  • 2010-2015 – «Experimental tests of the effects of compounded anthropogenic perturbations on intertidal assemblages on Portuguese rocky shores». Doutoramento, ICBAS, UP. José Pedro Oliveira (PhD).
  • 2016 – “Projeto de Marcação e Recaptura do Lavagante Europeu (Homarus gammarus), na Praia da Aguda”. ICBAS, UP. Susana Alexandra Couto de Jesus (MSc).
  • 2017 – “Intervenção técnica, educativa e de investigação no contexto diário da Estação Litoral da Aguda”. ICBAS, UP, Raquel de Vila Fontes da Mota Magalhães (MSc).